De pedras fez terra - um caso de empreendedorismo e investimento
agrícola no Nordeste Transmontano (Clemente Meneres) (2)
Revista da Faculdade de Letras HISTÓRIAPorto, III Série, vol. 8,2007, pp. 113-155
Jorge Fernandes Alves
Professor catedrático da FLUP
2 - Trajectórias de Clemente Meneres
A explicação original da Sociedade Clemente Meneres, Lda remete-nos, pois, para a personalidade de Clemente Meneres e para o seu percurso na constelação empresarial do Porto dos finais do século XIX. Clemente surge-nos como um protagonista, tanto no quadro das tradicionais relações comerciais luso-brasileiras, como em situações de inovação no tecido económico do Norte, evidenciando o efeito de estímulo que o mercado brasileiro ainda exercia sobre a apertada malha empresarial nortenha.
Quem era? Donde vinha? Como se ajusta o seu percurso às circunstâncias da época?
Servindo-nos de um texto autobiográfico2 como guia e de documentos complementares (3) podemos esboçar alguns aspectos da sua trajectória empresarial.
Clemente Joaquim da Fonseca Guimarães, nasceu a 19 de Novembro de 1843, no lugar da Cruz em Vila da Feira, sendo baptizado sete dias depois4. Na Feira frequentou as aulas do mestre régio local. Era filho de pais lavradores e industriais, na complementaridade típica do artesanato do Norte, pois, além de cultivarem os terrenos agrícolas de que eram proprietários, possuíam uma serralharia que ocupava na ocasião cerca de 40 operários, na qual Clemente iniciou a sua aprendizagem, Recorde-se que a Feira era, nos meados do século XIX, a zona de maior concentração de ferragens ao redor do Porto, vendendo para esta Cidade a maioria da sua produção, grande parte da qual seguia depois o caminho da exportação para o Brasil. A oficina da família, especializada em fechaduras, não fugia a esta regra, mas, perspicácia de rapaz, enquanto o intermediário responsável pela exportação ostentava riqueza, a vida do pai de Clemente não passava da mediania. Representação que ficaria para sempre, levando-o a nunca querer abandonar a actividade de distribuição, especialmente a da sua própria produção.
2.1 - O Brasil como destino
Em 1859 recebe-se em casa a tradicional carta do “tio brasileiro” estabelecido no Rio de Janeiro, que, pretendendo regressar a Portugal, desejava antes passar o negócio a dois sobrinhos, um dos quais já estava com ele, sugerindo portanto a ida de outro. Passar a casa comercial a portugueses, de preferência ex-caixeiros experimentados, como forma de prolongar o negócio e obter uma renda periódica na sua retirada, era hábito nos negociantes portugueses do Brasil.
Diz-nos Clemente que então se entusiasmou, sentindo o apelo do Brasil, apesar da oposição paterna inicial, e a 4 de Julho desse ano, com 16 anos incompletos, embarcava na galera “Olinda” que largava da barra do Douro. Quarenta e um dias depois arribava ao Rio de Janeiro e procurava a casa do tio. Estava já a loja em liquidação, pois o tio mudara de ideias, por se ter desavindo com o outro sobrinho. De qualquer forma, o tio levou-o à sua chácara no Catumbi, onde foi apresentado à família (mulher e um casal de filhos) e se iniciou no tradicional prato de feijão preto e carne seca. Voltou depois ao armazém, onde passou a trabalhar e dormir, ali passando cerca de um ano até à liquidação final do estabelecimento. Mas o tio arranjou-lhe nova ocupação, casando-o logo (aos dezoito anos) com a prima Maria da Glória, cumprindo assim outro hábito arreigado dos comerciantes portugueses ali residentes: chamar os sobrinhos com o objectivo de lhes passar a loja de comércio (o que aqui só não aconteceu aqui por circunstâncias fortuitas) e casá-los com as suas filhas, canalizando os filhos próprios do sexo masculino para outras actividades (5).
De feitio indomável, Clemente tentou a independência económica do sogro, que o procurava enquadrar nos trabalhos agrícolas da chácara. Assim, arranjou por si próprio emprego em novo armazém do Rio de Janeiro (30$000 réis mensais de início, 100$000 réis ao fim do primeiro ano já como primeiro-caixeiro, sem esquecermos que estas verbas deveriam ser em moeda brasileira ou “fraca”, equivalendo a cerca de 50% em réis portugueses ou “fortes”). Tratava-se agora da casa comercial de mais um emigrante do Porto ali estabelecido, ligado à família Serpa Pinto, que, como norma habitual, dava preferência no emprego aos portugueses chegados de fresco.
sábado, 29 de novembro de 2008
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
De pedras fez terra - um caso de empreendedorismo e investimento
Gradualmente será colocado aqui um trabalho de investigação realizado na Universidade do Porto, tendo como base, a figura de Clemente Menéres. É o texto mais completo que conheço.
Foi publicado na Revista da Faculdade de Letras ( HISTÓRIA )
Porto, III Série, vol. 8,2007, pp. 113-155
É seu autor o Sr Professor Jorge Fernandes Alves, Professor catedrático da FLUP
"De pedras fez terra - um caso de empreendedorismo e investimentoagrícola no Nordeste Transmontano (Clemente Meneres) - parte 1
O presente artigo ilustra um caso de empreendedorismo centrado sobre o Nordeste Transmontano, em Mirandela e terras vizinhas, desenvolvido por um ex-emigrante do Brasil, Clemente Meneres, desde cerca de 1870. Depois de várias experiências empresariais no Porto, concentrou a sua acção na aquisição de terras para a produção de cortiça, azeite e vinho, recuperando áreas que estavam abandonadas, organizando depois, em 1902, a Sociedade Clemente Meneres, Limitada, que se tornou num modelo regional de exploração agrícola, a qual tem permanecido como propriedade familiar e mantido a sua actividade até à actualidade.
1 - Introdução
Se no distrito de Bragança houvesse mais alguns homens como o snr. Clemente Meneres, a transformação agrícola seria rapidamente profunda. Consola, contudo, apresentar aos nossos conterrâneos o exemplomais salutar de trabalho inteligente e fecundo que apareceu em Trás-os-Montes no século XIX. Oxalá que as gerações futuras se inspirem em tão nobre exemplo de trabalho.
Meneses Pimentel, Portugal Agrícola, vol. XIV, ano 1902/1903
“Jóia de família” é uma expressão consagrada na literatura, mas que se ajusta também a uma das perspectivas com que, no prisma da realidade, podemos encarar a Sociedade ClementeMeneres, Limitada, empresa criada em 1902. A analogia ocorre quando focalizamos a empresa na sua espessura histórica, quando lhe descortinamos os princípios fundacionais e acompanhamos os valores subjacentes à sua gestão.
A formação da empresa radica numa aventura empresarial muito peculiar do fundador que lhe deu a designação social, centrando-se na exploração de um conjunto de terras em Mirandela e em outros concelhos vizinhos do Nordeste transmontano e num agrupamento de edifícios em Miragaia (Porto), estes derivados do ex-convento de Monchique. A gestão da sociedade, assumida, ao longo do tempo, por diferentes personalidades da família, surge eivada de um sortilégio especial, em que a memória do fundador funciona como factor intangível que se funde com a ambiência de uma sentida e profunda ligação à natureza que o Romeu, as matas do Quadraçal ou as vinhas de Monte-Miões proporcionam em todo o seu esplendor.
Dos passos primordiais de Clemente Meneres à actualidade muita história correu. Criada em plena monarquia, a Sociedade Clemente Meneres, Lda atravessou múltiplas conjunturas, de diferente feição, umas mais favoráveis ao seu tipo de negócio, outras francamente desfavoráveis, preparando-se, agora, para funcionar em tempos de globalização, procurando fazer sentir a sua especificidade local, numa altura em que toda a actividade empresarial assume contornos mais fluidos e incertos. Radicada no interior profundo de Portugal, a Sociedade está habituada a aproveitar as frestas de comunicação que se lhe oferecem: cortaram-se as suas propriedades nos inícios do século passado para lá passar o comboio da linha do Tua, ligando-a ao Porto, rasgaram--se de novo agora, em tempos recentes, para dar passagem à rodovia do Itinerário Principal nº 4 (IP4), o que pode constituir um bom indício.
Pela sua própria designação, a empresa remete-nos para um homem e para a sua vontade. A Sociedade representa a vontade de Clemente Meneres, que, em 1902, chamou a si os filhos para, em conjunto, garantir duração ao conjunto de bens que, durante anos, adquirira e organizara, impondo-lhe um novo modelo empresarial – a sociedade por quotas, dispositivo jurídico introduzido por lei de 1901. E o pacto social apontou uma ousada proposta de duração: um século. Tempo indeterminado, decidiram mais tarde os sucessores, alterando para o efeito os estatutos, prolongando no tempo a vontade do fundador, a grande razão para que a empresa subsista na sua configuração tradicional.
Mas a vontade de um homem, fielmente guardada e desenvolvida pelos seus sucessores, pode não ser suficiente para fazer perdurar uma empresa, que, pelos valores que envolve e pelos custos que implica, tem de funcionar no mercado com princípios de racionalidade económica. São estes princípios que os sucessores, respeitadores do passado mas já afastados do voluntarismo fundacional, tiveram de aplicar sucessivamente, sob pena de tudo se esvair.
O presente artigo, extracto de um trabalho mais vasto, procura delinear e enquadrar a iniciativa empresarial que a Sociedade Clemente Meneres, Lda. configura, evocando a trajectória do fundador e os primeiros ciclos de gestão no jogo do mercado e das flutuações económicas."
Foi publicado na Revista da Faculdade de Letras ( HISTÓRIA )
Porto, III Série, vol. 8,2007, pp. 113-155
É seu autor o Sr Professor Jorge Fernandes Alves, Professor catedrático da FLUP
"De pedras fez terra - um caso de empreendedorismo e investimentoagrícola no Nordeste Transmontano (Clemente Meneres) - parte 1
O presente artigo ilustra um caso de empreendedorismo centrado sobre o Nordeste Transmontano, em Mirandela e terras vizinhas, desenvolvido por um ex-emigrante do Brasil, Clemente Meneres, desde cerca de 1870. Depois de várias experiências empresariais no Porto, concentrou a sua acção na aquisição de terras para a produção de cortiça, azeite e vinho, recuperando áreas que estavam abandonadas, organizando depois, em 1902, a Sociedade Clemente Meneres, Limitada, que se tornou num modelo regional de exploração agrícola, a qual tem permanecido como propriedade familiar e mantido a sua actividade até à actualidade.
1 - Introdução
Se no distrito de Bragança houvesse mais alguns homens como o snr. Clemente Meneres, a transformação agrícola seria rapidamente profunda. Consola, contudo, apresentar aos nossos conterrâneos o exemplomais salutar de trabalho inteligente e fecundo que apareceu em Trás-os-Montes no século XIX. Oxalá que as gerações futuras se inspirem em tão nobre exemplo de trabalho.
Meneses Pimentel, Portugal Agrícola, vol. XIV, ano 1902/1903
“Jóia de família” é uma expressão consagrada na literatura, mas que se ajusta também a uma das perspectivas com que, no prisma da realidade, podemos encarar a Sociedade ClementeMeneres, Limitada, empresa criada em 1902. A analogia ocorre quando focalizamos a empresa na sua espessura histórica, quando lhe descortinamos os princípios fundacionais e acompanhamos os valores subjacentes à sua gestão.
A formação da empresa radica numa aventura empresarial muito peculiar do fundador que lhe deu a designação social, centrando-se na exploração de um conjunto de terras em Mirandela e em outros concelhos vizinhos do Nordeste transmontano e num agrupamento de edifícios em Miragaia (Porto), estes derivados do ex-convento de Monchique. A gestão da sociedade, assumida, ao longo do tempo, por diferentes personalidades da família, surge eivada de um sortilégio especial, em que a memória do fundador funciona como factor intangível que se funde com a ambiência de uma sentida e profunda ligação à natureza que o Romeu, as matas do Quadraçal ou as vinhas de Monte-Miões proporcionam em todo o seu esplendor.
Dos passos primordiais de Clemente Meneres à actualidade muita história correu. Criada em plena monarquia, a Sociedade Clemente Meneres, Lda atravessou múltiplas conjunturas, de diferente feição, umas mais favoráveis ao seu tipo de negócio, outras francamente desfavoráveis, preparando-se, agora, para funcionar em tempos de globalização, procurando fazer sentir a sua especificidade local, numa altura em que toda a actividade empresarial assume contornos mais fluidos e incertos. Radicada no interior profundo de Portugal, a Sociedade está habituada a aproveitar as frestas de comunicação que se lhe oferecem: cortaram-se as suas propriedades nos inícios do século passado para lá passar o comboio da linha do Tua, ligando-a ao Porto, rasgaram--se de novo agora, em tempos recentes, para dar passagem à rodovia do Itinerário Principal nº 4 (IP4), o que pode constituir um bom indício.
Pela sua própria designação, a empresa remete-nos para um homem e para a sua vontade. A Sociedade representa a vontade de Clemente Meneres, que, em 1902, chamou a si os filhos para, em conjunto, garantir duração ao conjunto de bens que, durante anos, adquirira e organizara, impondo-lhe um novo modelo empresarial – a sociedade por quotas, dispositivo jurídico introduzido por lei de 1901. E o pacto social apontou uma ousada proposta de duração: um século. Tempo indeterminado, decidiram mais tarde os sucessores, alterando para o efeito os estatutos, prolongando no tempo a vontade do fundador, a grande razão para que a empresa subsista na sua configuração tradicional.
Mas a vontade de um homem, fielmente guardada e desenvolvida pelos seus sucessores, pode não ser suficiente para fazer perdurar uma empresa, que, pelos valores que envolve e pelos custos que implica, tem de funcionar no mercado com princípios de racionalidade económica. São estes princípios que os sucessores, respeitadores do passado mas já afastados do voluntarismo fundacional, tiveram de aplicar sucessivamente, sob pena de tudo se esvair.
O presente artigo, extracto de um trabalho mais vasto, procura delinear e enquadrar a iniciativa empresarial que a Sociedade Clemente Meneres, Lda. configura, evocando a trajectória do fundador e os primeiros ciclos de gestão no jogo do mercado e das flutuações económicas."
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Quem é o Pedro Bento d'Almeida?
Do 1º seguidor atento deste Blog, recebemos a sua ligação a Clemente Menéres.
Alguém quer dar mais uma achega e começar a fazer as ligações entre os membros da família?
PEDRO BENTO D’ALMEIDA
FILHO DE: Maria do Carmo Fontes Menéres Duarte Pacheco casada com João Paulo Póvoas Bento d'Almeida
NETO DE: Maria José Fontes Menéres de Castro casada com Alfredo Duarte Pacheco
BISNETO: Ferdinando Menéres de Castro casado com Julieta Ferreira Fontes
TRINETO: Ana da Fonseca Menéres casada com Manuel de Castro Junior
Para contactos com o blog, aqui fica o e-mail:
clementemeneres@iol.pt
Alguém quer dar mais uma achega e começar a fazer as ligações entre os membros da família?
PEDRO BENTO D’ALMEIDA
FILHO DE: Maria do Carmo Fontes Menéres Duarte Pacheco casada com João Paulo Póvoas Bento d'Almeida
NETO DE: Maria José Fontes Menéres de Castro casada com Alfredo Duarte Pacheco
BISNETO: Ferdinando Menéres de Castro casado com Julieta Ferreira Fontes
TRINETO: Ana da Fonseca Menéres casada com Manuel de Castro Junior
Para contactos com o blog, aqui fica o e-mail:
clementemeneres@iol.pt
domingo, 23 de novembro de 2008
Alguem sabe responder ao Pedro Bento d'Almeida?
Hoje tivemos o primeiro comentario ao nosso blog.
Aqui fica o texto do Pedro Bento d’Almeida.
Confesso com alguma surpresa, que nunca pensei que a 1ª pessoa a visitar-nos fosse um jovem de 14 anos.
Creio que será um bom princípio.
Continua a mandar informações e a dar notícias, para clementemeneres@iol.pt
"Bom dia Menéres!
O meu nome é Pedro Bento d’Almeida e sou também sou descendente de Clemente Menéres. Ultimamente tenho despertado imenso interesse na família do lado da minha mãe, Fontes Menéres.
Tenho 14 anos e adorava conhecer melhor ClementeMenéres e o seu ultimo nome.
Gostava também de poder comentar os posts do vosso blog, pois só os seus criadores podem....
Aqui vão algumas noticias relacionadas com a nossa familia e o Romeu. Vai também um excelente album de fotografias do convento de Monchique.
Aqui vai também a página do Geneall de Clmente Menéres, com a sua descendência quase completa. Faltam os seus antecedentes... gostava de compreender porque é que nas fontes, nessa mesma página, se encontram “Anuário da Nobreza de Portugal – 2006” e “A Descendência do 1º Barão e 1º Visconde de Alpendurada”.
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=59202
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={647B1D72-1556-40C9-9577-FE4DB2422C96}
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/ir/Artigos/Ir+Lobo+Iberico+e+Jerusalem+do+Romeu.htm
http://amen17.no.sapo.pt/Album-Convento%20de%20Monchique/index.html
Aqui fica o texto do Pedro Bento d’Almeida.
Confesso com alguma surpresa, que nunca pensei que a 1ª pessoa a visitar-nos fosse um jovem de 14 anos.
Creio que será um bom princípio.
Continua a mandar informações e a dar notícias, para clementemeneres@iol.pt
"Bom dia Menéres!
O meu nome é Pedro Bento d’Almeida e sou também sou descendente de Clemente Menéres. Ultimamente tenho despertado imenso interesse na família do lado da minha mãe, Fontes Menéres.
Tenho 14 anos e adorava conhecer melhor ClementeMenéres e o seu ultimo nome.
Gostava também de poder comentar os posts do vosso blog, pois só os seus criadores podem....
Aqui vão algumas noticias relacionadas com a nossa familia e o Romeu. Vai também um excelente album de fotografias do convento de Monchique.
Aqui vai também a página do Geneall de Clmente Menéres, com a sua descendência quase completa. Faltam os seus antecedentes... gostava de compreender porque é que nas fontes, nessa mesma página, se encontram “Anuário da Nobreza de Portugal – 2006” e “A Descendência do 1º Barão e 1º Visconde de Alpendurada”.
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=59202
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={647B1D72-1556-40C9-9577-FE4DB2422C96}
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/ir/Artigos/Ir+Lobo+Iberico+e+Jerusalem+do+Romeu.htm
http://amen17.no.sapo.pt/Album-Convento%20de%20Monchique/index.html
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Do site http://mjfs.wordpress.com/2008/05/05/ retiramos este texto e fotografia referente ao edifício da Real Companhia Vinícola que foram mandados construir, em 1897, por Menéres & Cª.
Antigo Edifício da Real Companhia Vinícola - Matosinhos
O primeiro Plano de Urbanização da então Vila de Matosinhos, previa a ocupação do Areal do Prado com uma malha ortogonal regular composta por quarteirões rectangulares e é num destes quarteirões do Plano que iria surgir o edifício da Real Companhia Vinícola, grandes armazéns de vinho que foram mandados construir, em 1897, por Menéres & Cª. Este excelente edifício fabril foi precisamente a primeira unidade industrial a ocupar aquela zona, constituindo-se em foco de atracção para as futuras unidades industriais. Deste modo se explica, também, que a artéria então aberta e que servia a fábrica tenha sido baptizada como Avenida Menéres topónimo que ainda hoje possui.
Durante anos ponto de referência absoluto na paisagem e na vida dos matosinhenses, a “Real Vinícola” é o conjunto industrial cujos limites de implantação correspondem aproximadamente à malha estipulada pelo Plano original da ocupação do areal, de autoria de Lícinio Guimarães. De facto, a partir daí ele vai sofrer algumas alterações, diferindo do modelo projectado.
Por ter sido a primeira instalação industrial implantada na área, a “Real Companhia Vinícola”, construída entre 1897 e 1901, apresenta um processo construtivo bastante diferenciado das contíguas construções industriais posteriores, caracterizadas pela utilização do betão e asnas metálicas.
Construídos em alvenaria de pedra, com cobertura de telha, assente em asnas de madeira e pilares de ferro forjado no corpo principal, os edifícios da Real Companhia Vinícola dispõem-se no perímetro do quarteirão, deixando no interior um enorme pátio, onde a linha férrea tinha o seu términus e onde se dispunham os dois armazéns/depósito ainda existentes.
Revelando soluções fortemente inspiradas nos modelos ingleses das primeiras explorações agrícolas industrializadas, com um acentuado contraste entre o exterior e o interior, na “Real Vinícola” “os grandes telhados cobertos em telha, apoiados em pilares e travejamento de madeira, as altas paredes em pedra, a clara distinção entre os corpos a que correspondiam diferentes funções, tudo sugere uma granja. Só que aqui, celeiros, adegas, lagares, etc. estão concentrados, criando um volume compacto que não unitário”.
Estas instalações, contudo, não eram fábricas no sentido estrito do termo. De facto, funcionavam mais como armazéns onde se procedia à análise química laboratorial, à rotulagem, embalagem e expedição de um produto natural que, afinal, não ali totalmente transformado. Importa, contudo, salientar que o edifício possui uma das primeiras estruturas fabris a vapor da região: uma tanoaria a vapor.
Extinta a sociedade Menéres &Cª, em 1905, as suas marcas de vinho do Porto, espumosos e de mesa continuaram a ser comercializadas pela “Companhia Vinícola Portugueza” que possuía sede no Porto.
Não há notícias que o edifício original tenha sofrido grandes alterações, registando-se apenas uma ligeira ampliação ainda em 1903, através da qual é implantado um pequeno torreão num dos extremos da fachada voltada para a Avenida Menéres, e obras de decoração na fachada em 1929.
Não obstante o seu encerramento, nos anos 30, a “Real Vinícola” continuou a manter, embora de forma indirecta, uma ligação estreita à história da evolução urbana da cidade. É que a construção das docas do porto de Leixões, implicando o desaparecimento de todas as edificações junto às margens em Matosinhos e Leça da Palmeira, fez com que uma grande parte da população ribeirinha até então aí residente se visse privada das suas habitações. Neste contexto a “Real Vinícola” funcionou, durante vários anos, como refúgio/albergue desses desalojados. Curiosamente, várias décadas depois, na sequência da descolonização, voltaria a desempenhar as mesmas funções em relação a retornados das ex-colónias portuguesas em África.
Hoje, o edifício ou, mais precisamente, o conjunto de edifícios da Real Companhia Vinícola apresenta-se abandonado e desocupado.
Antigo Edifício da Real Companhia Vinícola - Matosinhos
O primeiro Plano de Urbanização da então Vila de Matosinhos, previa a ocupação do Areal do Prado com uma malha ortogonal regular composta por quarteirões rectangulares e é num destes quarteirões do Plano que iria surgir o edifício da Real Companhia Vinícola, grandes armazéns de vinho que foram mandados construir, em 1897, por Menéres & Cª. Este excelente edifício fabril foi precisamente a primeira unidade industrial a ocupar aquela zona, constituindo-se em foco de atracção para as futuras unidades industriais. Deste modo se explica, também, que a artéria então aberta e que servia a fábrica tenha sido baptizada como Avenida Menéres topónimo que ainda hoje possui.
Durante anos ponto de referência absoluto na paisagem e na vida dos matosinhenses, a “Real Vinícola” é o conjunto industrial cujos limites de implantação correspondem aproximadamente à malha estipulada pelo Plano original da ocupação do areal, de autoria de Lícinio Guimarães. De facto, a partir daí ele vai sofrer algumas alterações, diferindo do modelo projectado.
Por ter sido a primeira instalação industrial implantada na área, a “Real Companhia Vinícola”, construída entre 1897 e 1901, apresenta um processo construtivo bastante diferenciado das contíguas construções industriais posteriores, caracterizadas pela utilização do betão e asnas metálicas.
Construídos em alvenaria de pedra, com cobertura de telha, assente em asnas de madeira e pilares de ferro forjado no corpo principal, os edifícios da Real Companhia Vinícola dispõem-se no perímetro do quarteirão, deixando no interior um enorme pátio, onde a linha férrea tinha o seu términus e onde se dispunham os dois armazéns/depósito ainda existentes.
Revelando soluções fortemente inspiradas nos modelos ingleses das primeiras explorações agrícolas industrializadas, com um acentuado contraste entre o exterior e o interior, na “Real Vinícola” “os grandes telhados cobertos em telha, apoiados em pilares e travejamento de madeira, as altas paredes em pedra, a clara distinção entre os corpos a que correspondiam diferentes funções, tudo sugere uma granja. Só que aqui, celeiros, adegas, lagares, etc. estão concentrados, criando um volume compacto que não unitário”.
Estas instalações, contudo, não eram fábricas no sentido estrito do termo. De facto, funcionavam mais como armazéns onde se procedia à análise química laboratorial, à rotulagem, embalagem e expedição de um produto natural que, afinal, não ali totalmente transformado. Importa, contudo, salientar que o edifício possui uma das primeiras estruturas fabris a vapor da região: uma tanoaria a vapor.
Extinta a sociedade Menéres &Cª, em 1905, as suas marcas de vinho do Porto, espumosos e de mesa continuaram a ser comercializadas pela “Companhia Vinícola Portugueza” que possuía sede no Porto.
Não há notícias que o edifício original tenha sofrido grandes alterações, registando-se apenas uma ligeira ampliação ainda em 1903, através da qual é implantado um pequeno torreão num dos extremos da fachada voltada para a Avenida Menéres, e obras de decoração na fachada em 1929.
Não obstante o seu encerramento, nos anos 30, a “Real Vinícola” continuou a manter, embora de forma indirecta, uma ligação estreita à história da evolução urbana da cidade. É que a construção das docas do porto de Leixões, implicando o desaparecimento de todas as edificações junto às margens em Matosinhos e Leça da Palmeira, fez com que uma grande parte da população ribeirinha até então aí residente se visse privada das suas habitações. Neste contexto a “Real Vinícola” funcionou, durante vários anos, como refúgio/albergue desses desalojados. Curiosamente, várias décadas depois, na sequência da descolonização, voltaria a desempenhar as mesmas funções em relação a retornados das ex-colónias portuguesas em África.

Hoje, o edifício ou, mais precisamente, o conjunto de edifícios da Real Companhia Vinícola apresenta-se abandonado e desocupado.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
"Romeu: no reino dos Menéres"
Aqui fica mais um artigo retirado da internet, este sobre os Menéres e o Romeu
in: http://www.diariodetrasosmontes.com/reportagem/index.php3?id=57
Romeu: no reino dos Menéres
"Percurso de família benfeitora é inseparável da história da freguesia As casas e edifícios pincelados em tons de amarelo parecem pertencer à beleza natural da localidade. Cores que fazem parte da actual história e ajudaram a construir um passado que levou o nome de Jerusalém do Romeu, no concelho de Mirandela, pelo mundo fora. Atravessada pela antiga linha de comboio, a localidade parece ter saído directamente de um livro de contos, em que os benfeitores ajudam os mais necessitados e apoiam a construção duma aldeia que ficará para sempre ligada ao seu nome.De passagem pela região, um grande negociante agrícola, Clemente Menéres, apaixonou-se por Romeu e deu início a um enamoramento que perdura há mais de 130 anos, atravessando cinco gerações. Oriundo da Vila da Feira, Clemente Menéres, negociante de vinhos e cortiças no norte da Europa e Brasil, chega a Romeu para comprar sobreiros (que até à data não tinham muito valor), criando, deste modo, a Quinta do Romeu, à qual se seguiria a Sociedade Clemente Menéres, Lda.Durante a sua vida, o negociante construiu, ainda, uma escola primária, assegurando os salários dos professores. A sua influência e pressão foram, também, importantes para que o comboio passasse por Romeu, onde chegou em Agosto de 1905.Após a sua morte, o filho José continua o seu trabalho enquanto benfeitor, fundando a Cooperativa Por Bem (que abastecia os habitantes locais com mercearia) uma Casa do Povo com consultório médico, farmácia e biblioteca, onde também se fez teatro e passaram filmes. A José Menéres sucede o seu irmão, Manuel, responsável pela melhoria de condições de vida das populações de Vale de Couço, Vila Verdinho e Romeu. O descendente cria uma creche, um jardim-de-infância, recupera a antiga estalagem Maria Rita, onde o seu pai chegou a ficar instalado, transformando-a em restaurante e o Museu de Curiosidades. Volvido mais de um século desde que o primeiro do clã Menéres passou por Romeu, a população continua a recordar os actos de generosidade e as obras criadas por esta família.Romeu é conhecida pelo património, antiga estação de caminhos-de-ferro, restaurante Maria Rita e Museu de CuriosidadesO peculiar nome da freguesia de Romeu, que integra as aldeias de Vimieiro e Vale de Couço, deve-se à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, mais tarde conhecida como Ordem de Malta, que ali teria uma dependência na época medieval. De passagem pela localidade, o Museu de Curiosidades é um ponto de paragem obrigatório. Recheado com objectos antigos recolhidos por elementos da família Menéres, o espaço permite conhecer antigos documentos deste núcleo, bem como carros, aparelhos de música e cinema, roupas, máquinas fotográficas, relógios e máquinas de costura, entre outros. Os curiosos podem, ainda, visitar o santuário dedicado a Nossa Senhora de Jerusalém (que deu o nome à propriedade dos Menéres), construído a pedido de uma pastora, a quem a Santa apareceu. Trata-se de um belo templo, enriquecido por um lago e paisagens soberbas. As igrejas da freguesia e cruzeiros também merecem a paragem de qualquer visitante."
in: http://www.diariodetrasosmontes.com/reportagem/index.php3?id=57
Romeu: no reino dos Menéres
por Sandra Canteiro
"Percurso de família benfeitora é inseparável da história da freguesia As casas e edifícios pincelados em tons de amarelo parecem pertencer à beleza natural da localidade. Cores que fazem parte da actual história e ajudaram a construir um passado que levou o nome de Jerusalém do Romeu, no concelho de Mirandela, pelo mundo fora. Atravessada pela antiga linha de comboio, a localidade parece ter saído directamente de um livro de contos, em que os benfeitores ajudam os mais necessitados e apoiam a construção duma aldeia que ficará para sempre ligada ao seu nome.De passagem pela região, um grande negociante agrícola, Clemente Menéres, apaixonou-se por Romeu e deu início a um enamoramento que perdura há mais de 130 anos, atravessando cinco gerações. Oriundo da Vila da Feira, Clemente Menéres, negociante de vinhos e cortiças no norte da Europa e Brasil, chega a Romeu para comprar sobreiros (que até à data não tinham muito valor), criando, deste modo, a Quinta do Romeu, à qual se seguiria a Sociedade Clemente Menéres, Lda.Durante a sua vida, o negociante construiu, ainda, uma escola primária, assegurando os salários dos professores. A sua influência e pressão foram, também, importantes para que o comboio passasse por Romeu, onde chegou em Agosto de 1905.Após a sua morte, o filho José continua o seu trabalho enquanto benfeitor, fundando a Cooperativa Por Bem (que abastecia os habitantes locais com mercearia) uma Casa do Povo com consultório médico, farmácia e biblioteca, onde também se fez teatro e passaram filmes. A José Menéres sucede o seu irmão, Manuel, responsável pela melhoria de condições de vida das populações de Vale de Couço, Vila Verdinho e Romeu. O descendente cria uma creche, um jardim-de-infância, recupera a antiga estalagem Maria Rita, onde o seu pai chegou a ficar instalado, transformando-a em restaurante e o Museu de Curiosidades. Volvido mais de um século desde que o primeiro do clã Menéres passou por Romeu, a população continua a recordar os actos de generosidade e as obras criadas por esta família.Romeu é conhecida pelo património, antiga estação de caminhos-de-ferro, restaurante Maria Rita e Museu de CuriosidadesO peculiar nome da freguesia de Romeu, que integra as aldeias de Vimieiro e Vale de Couço, deve-se à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, mais tarde conhecida como Ordem de Malta, que ali teria uma dependência na época medieval. De passagem pela localidade, o Museu de Curiosidades é um ponto de paragem obrigatório. Recheado com objectos antigos recolhidos por elementos da família Menéres, o espaço permite conhecer antigos documentos deste núcleo, bem como carros, aparelhos de música e cinema, roupas, máquinas fotográficas, relógios e máquinas de costura, entre outros. Os curiosos podem, ainda, visitar o santuário dedicado a Nossa Senhora de Jerusalém (que deu o nome à propriedade dos Menéres), construído a pedido de uma pastora, a quem a Santa apareceu. Trata-se de um belo templo, enriquecido por um lago e paisagens soberbas. As igrejas da freguesia e cruzeiros também merecem a paragem de qualquer visitante."
sábado, 8 de novembro de 2008

Do mesmo Blogue "Ruas da minha terra", retirei esta fotografia da rua Clemente Menéres.
in http://ruasdoporto.blogspot.com/2006/12/rua-clemente-menres.html
in http://ruasdoporto.blogspot.com/2006/12/rua-clemente-menres.html
Rua Clemente Menéres
Rua Clemente Menéres, no Porto
Visitando o blogue "Ruas da minha terra" (Porto), verifiquei que no artigo referente à Rua Clemente Menéres, não aparece nenhuma referência à personalidade que lhe deu o nome.
Mas vale a pena consultar o blogue e ver a origem dos nomes das ruas da cidade.
Aqui fica o texto:
in
http://ruasdoporto.blogspot.com/2006/12/rua-clemente-menres.html
"Rua CLEMENTE MENÉRES
Já se chamou rua do Paço e Praça do Duque de Beja.Tem o nome actual pelo menos desde 1945. "
Visitando o blogue "Ruas da minha terra" (Porto), verifiquei que no artigo referente à Rua Clemente Menéres, não aparece nenhuma referência à personalidade que lhe deu o nome.
Mas vale a pena consultar o blogue e ver a origem dos nomes das ruas da cidade.
Aqui fica o texto:
in
http://ruasdoporto.blogspot.com/2006/12/rua-clemente-menres.html
"Rua CLEMENTE MENÉRES
Já se chamou rua do Paço e Praça do Duque de Beja.Tem o nome actual pelo menos desde 1945. "
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Documentário realizado há 40 anos estreia este sábado
Alguém viu? Creio que terá passado em Serralves Sábado último...
in http://sic.aeiou.pt/online/noticias/cartaz/Documentario+realizado+ha+40+anos+estreia+este+sabado.htm
"Publicação: 31-10-2008 12:05
Manoel Oliveira em Serralves
Documentário realizado há 40 anos estreia este sábado"
"Quando Clemente Meneres chegou a Trás-os-Montes, dizia-se por terras do Romeu, Mirandela, que andava por ali um louco a comprar pedras e fragas. A história inspirou um documentaário de Manoel Oliveira que estreia este sábado em Serralves
Lusa
Mas onde todos viam apenas terras incultas, este homem da Vila da Feira fez nascer uma sociedade agrícola familiar, que prospera há quatro gerações e que mudou a vida de três aldeias transmontanas, umas delas retratada por Manoel de Oliveira no filme que estreia sábado em Serralves, depois de 40 anos guardado. O nome Meneres é para as gentes do Romeu, Vila Verdinho e Vale de Coiço sinónimo de progresso, que transformou estas pequenas localidades em "aldeias melhoradas" e foi agregando milhares de hectares de terras que se estendem por oito dos 12 concelhos do Distrito de Bragança. "Ainda me lembro bem da festa", disse à Lusa Fernando Aurélio, hoje com 69 anos, um jovem quando o então presidente da República, Américo Tomas, inaugurou, em 1964, as obras de melhoramento. As cozinhas tisnadas pelo fumo ganharam chaminés e a alvura da cal, as paredes foram rebocadas e pintadas, os compartimentos vazios ganharam mobílias e até roupa de cama foi distribuída à população. Ao todo foram melhoradas 138 casas, numa empreitada que incluiu calcetamento de ruas, estradas, uma ponte e captações de água. O autor destas obras já foi o filho de Clemente, Manoel Meneres, depois de o pai ter iniciado as benfeitorias com a escola primária ou a casa do povo com farmácia, teatro, biblioteca e médico. O bisavó foi o pioneiro e o avô o obreiro, como diz João Pedro Meneres, continuador e actual gestor da sociedade Clemente Meneres e Filhos, fundada há 106 anos. O pacto social foi pensado para esta sociedade nunca saia da família. Só os descendentes directos é que podem ser sócios e trabalham exclusivamente com capitais próprios, sem recurso a crédito. A sociedade emprega 40 pessoas permanentemente, mais os postos de trabalho sazonais para a apanha da azeitona, vindima e cortiça, a tríade de culturas que se estende do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, até ao Douro, em Carrazeda de Ansiães. A cortiça segue para o mercado da rolha e o vinho e o azeite são marcas desta sociedade exportados com o nome "Romeu" para vários países. São também atractivos no restaurante que há décadas está na família e ajudou a sustentar algumas das obras sociais como a creche e o infantário que construíram na aldeia. O restaurante era a estalagem da senhora Maria Rita, a única que existia na altura e onde Clemente Meneres chegou numa tarde de Maio de 1874 e mandou servir o bacalhau que ainda hoje faz a fama deste estabelecimento, que mantém o nome da primeira dona. O edifício foi recuperado mantendo a traça original como toda a envolvente da aldeia em que sobressaem os granitos das construções numa zona que já viveu das pedreiras. "O seu avô era um homem 'daqueles homens'" diz Augusto César a João Pedro, ele que o conheceu dos muitos anos em que foi feitor na casa Meneres. Os melhoramentos nas aldeias foram feitos do bolso de Manoel Meneres e quando o dinheiro começava a escassear aproveitava as visitas de Lisboa para conseguir algum apoio. As empreitadas eram feitas apenas com esboços feitos por Manoel Meneres e executados pelo carpinteiro "Zé Silva". "Ás vezes saía melhor que a encomenda", conta João Pedro Meneres, apontando para os esboços que estão expostos no Museu das Curiosidades da família, onde é possível encontrar relíquias os primeiros Ford que Clemente Meneres começou a importar para Portugal, as charretes que calcorrearam a quinta ou as albardas para senhoras. Dos muitos países para onde viajou nos negócios de importação e exportação dos mais variados produtos ficaram também recordações a juntar a raridades como uma máquina de música com quase 150 anos, uma piano com uma opera de Verdi em cartões ou as máquinas de projecção de cinema que passaram as últimas fitas na casa do povo do Romeu. "
in http://sic.aeiou.pt/online/noticias/cartaz/Documentario+realizado+ha+40+anos+estreia+este+sabado.htm
"Publicação: 31-10-2008 12:05
Manoel Oliveira em Serralves
Documentário realizado há 40 anos estreia este sábado"
"Quando Clemente Meneres chegou a Trás-os-Montes, dizia-se por terras do Romeu, Mirandela, que andava por ali um louco a comprar pedras e fragas. A história inspirou um documentaário de Manoel Oliveira que estreia este sábado em Serralves
Lusa
Mas onde todos viam apenas terras incultas, este homem da Vila da Feira fez nascer uma sociedade agrícola familiar, que prospera há quatro gerações e que mudou a vida de três aldeias transmontanas, umas delas retratada por Manoel de Oliveira no filme que estreia sábado em Serralves, depois de 40 anos guardado. O nome Meneres é para as gentes do Romeu, Vila Verdinho e Vale de Coiço sinónimo de progresso, que transformou estas pequenas localidades em "aldeias melhoradas" e foi agregando milhares de hectares de terras que se estendem por oito dos 12 concelhos do Distrito de Bragança. "Ainda me lembro bem da festa", disse à Lusa Fernando Aurélio, hoje com 69 anos, um jovem quando o então presidente da República, Américo Tomas, inaugurou, em 1964, as obras de melhoramento. As cozinhas tisnadas pelo fumo ganharam chaminés e a alvura da cal, as paredes foram rebocadas e pintadas, os compartimentos vazios ganharam mobílias e até roupa de cama foi distribuída à população. Ao todo foram melhoradas 138 casas, numa empreitada que incluiu calcetamento de ruas, estradas, uma ponte e captações de água. O autor destas obras já foi o filho de Clemente, Manoel Meneres, depois de o pai ter iniciado as benfeitorias com a escola primária ou a casa do povo com farmácia, teatro, biblioteca e médico. O bisavó foi o pioneiro e o avô o obreiro, como diz João Pedro Meneres, continuador e actual gestor da sociedade Clemente Meneres e Filhos, fundada há 106 anos. O pacto social foi pensado para esta sociedade nunca saia da família. Só os descendentes directos é que podem ser sócios e trabalham exclusivamente com capitais próprios, sem recurso a crédito. A sociedade emprega 40 pessoas permanentemente, mais os postos de trabalho sazonais para a apanha da azeitona, vindima e cortiça, a tríade de culturas que se estende do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, até ao Douro, em Carrazeda de Ansiães. A cortiça segue para o mercado da rolha e o vinho e o azeite são marcas desta sociedade exportados com o nome "Romeu" para vários países. São também atractivos no restaurante que há décadas está na família e ajudou a sustentar algumas das obras sociais como a creche e o infantário que construíram na aldeia. O restaurante era a estalagem da senhora Maria Rita, a única que existia na altura e onde Clemente Meneres chegou numa tarde de Maio de 1874 e mandou servir o bacalhau que ainda hoje faz a fama deste estabelecimento, que mantém o nome da primeira dona. O edifício foi recuperado mantendo a traça original como toda a envolvente da aldeia em que sobressaem os granitos das construções numa zona que já viveu das pedreiras. "O seu avô era um homem 'daqueles homens'" diz Augusto César a João Pedro, ele que o conheceu dos muitos anos em que foi feitor na casa Meneres. Os melhoramentos nas aldeias foram feitos do bolso de Manoel Meneres e quando o dinheiro começava a escassear aproveitava as visitas de Lisboa para conseguir algum apoio. As empreitadas eram feitas apenas com esboços feitos por Manoel Meneres e executados pelo carpinteiro "Zé Silva". "Ás vezes saía melhor que a encomenda", conta João Pedro Meneres, apontando para os esboços que estão expostos no Museu das Curiosidades da família, onde é possível encontrar relíquias os primeiros Ford que Clemente Meneres começou a importar para Portugal, as charretes que calcorrearam a quinta ou as albardas para senhoras. Dos muitos países para onde viajou nos negócios de importação e exportação dos mais variados produtos ficaram também recordações a juntar a raridades como uma máquina de música com quase 150 anos, uma piano com uma opera de Verdi em cartões ou as máquinas de projecção de cinema que passaram as últimas fitas na casa do povo do Romeu. "
Clemente Menéres e sua família
A partir de uma ideia da Clara Menéres, este blogue foi criado unicamente com o intuito de recolher e partilhar informações sobre a familia e descendentes de Clemente Menéres.
Apenas se vai manter aberto, até ao dia em a Clara crie definitivamente o blogue MENÉRES, sendo todo o material aqui postado transferido para o definitivo.
Trata-se de um espaço a ser partilhado por todos aqueles que usam o apelido Menéres ou seus amigos.
O nome Menéres, sempre me despertou curiosidade. As histórias fantásticas que ouvi contar na infância sobre o "trisavô" Clemente, homem com uma visão avançada ao seu tempo, criaram em mim uma curiosidade por tudo quanto lhe dizia respeito.
Assim, gostaria de saber noticias da família, do nome, do Romeu, de Monchique, da Sociedade com o seu nome, e tudo quanto possa interessar ao tema.
Serão aqui colocadas informações retiradas de livros, da internet ou apenas de memórias. Todos os textos ou fotografias aqui colocadas, deverão ser bem identificadas quanto à sua proveniência e da responsabilidade do seu autor.
Assim, queridos primos, mãos à obra.
Apenas se vai manter aberto, até ao dia em a Clara crie definitivamente o blogue MENÉRES, sendo todo o material aqui postado transferido para o definitivo.
Trata-se de um espaço a ser partilhado por todos aqueles que usam o apelido Menéres ou seus amigos.
O nome Menéres, sempre me despertou curiosidade. As histórias fantásticas que ouvi contar na infância sobre o "trisavô" Clemente, homem com uma visão avançada ao seu tempo, criaram em mim uma curiosidade por tudo quanto lhe dizia respeito.
Assim, gostaria de saber noticias da família, do nome, do Romeu, de Monchique, da Sociedade com o seu nome, e tudo quanto possa interessar ao tema.
Serão aqui colocadas informações retiradas de livros, da internet ou apenas de memórias. Todos os textos ou fotografias aqui colocadas, deverão ser bem identificadas quanto à sua proveniência e da responsabilidade do seu autor.
Assim, queridos primos, mãos à obra.
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